Escrito em 02/09/2026, depois de rastrear o caminho real de uma peça no código e na conversa. Não é proposta de sistema — é o fluxo que já dá para fazer amanhã com o que existe.
Onde o tempo vai hoje (e não é onde parece)
Não é escrever a cena. Com o contexto na mão, o roteiro sai rápido.
O caro é o intervalo entre "alguém teve uma ideia boa numa conversa" e "isso virou roteiro". E há uma razão técnica exata para isso:
/ideiase/roteirossão as duas únicas telas de trabalho que continuam sendo arrays de TypeScript. Não têm tabela no Supabase, não estão emlib/editavel.ts, não têm formulário. Todas as outras — adversários, personagens, timeline, pautas, agenda — a equipe edita pelo celular.
Ou seja: só quem abre o código consegue fazer um roteiro nascer. É por isso que a Julia escreveu "aquele dia a gt sentou 2 horas e sairam três roteiros bons" — precisou de uma sessão inteira, porque não havia onde uma ideia solta esperar.
O segundo custo: retrabalho por não checar a régua
Duas vezes a operação pagou caro por produzir antes de conferir:
- 900 créditos de Magnific queimados em 04/08, porque o prompt dos ETs foi escrito sem abrir a pasta de arte aprovada do personagem.
- Duas peças 100% renderizadas (GOV TOYS: dois MP4 e três legendas prontas) mortas em 25/08 por uma trava editorial nova — depois de produzidas.
O tempo caro nunca é a redação. É o retrabalho.
O fluxo, em oito passos
- Julia ou Renan, no celular, abrem
equipe.beneverso.com.br/hojee tocam "+ anotar". Escrevem o essencial — "reels ETs — pesquisa Datafolha" — e escolhem a página. Sem data. Leva dez segundos. - O item cai em "Fila de roteiro", na mesma tela. É a fila, e é visível para quem abrir depois — inclusive para quem sumiu por três dias.
- Felipe pega um item da fila e, antes de escrever qualquer coisa, abre:
/guias/decisoes-editoriais(o que mudou),/guias/limites-editoriais(a régua) e a arte de referência aprovada do personagem. Este passo é o que evita os dois retrabalhos acima. Não é opcional. - Escreve o roteiro em
lib/roteiros.ts, comcaminhoVaultapontando para o espelho no vault. Deploy. - Julia aprova cena a cena, do celular, com um toque —
carimbar()já existe em/roteiros/<slug>e ninguém usa. Ou marca "ajustar" com o motivo. A aprovação vira dado (quem, quando), não memória. - Aprovado: roda
/video-colagemou/clipe-musical. A peça nasce em/producoescom o mesmo slug, herdando título, legenda e hashtags. - Alguém preenche
peca_sluge a data em/agenda. - No dia, a peça aparece em
/hoje. Depois de postada, o botão "subiu" guarda o link e fecha o ciclo.
O roteiro nunca mora no WhatsApp. Nasce e vive em lib/roteiros.ts mais o
.md espelho no vault.
O que NÃO automatizar — e já foi decidido
| O quê | Por quê |
|---|---|
| A escrita da cena por agente | Já tentado e rejeitado: o @beneverso-roteirista foi descartado por entregar texto ruim. O julgamento precisa do contexto INTEIRO — tom, limites, canon, arte —, não de template. |
| Pipeline ponta a ponta (pesquisa → roteiro → imagem, sozinho) | Testado em maio e descartado pelo próprio Felipe: "pelo preço automatizar como rotina não faz tanto sentido pra gente". |
| Limite editorial como trava de código | As regras mudam com a conjuntura — o número de urna virou permitido em 16/08, a trava de imagem chegou em 25/08. Régua cega erra caro. Por isso viraram diário lido por gente. |
Os quatro formatos que merecem virar série
Escolhidos pelo que já funcionou, não pelo que parece bom:
- "Você sabe quem é ___" — já é série industrializada: 14 episódios, manual de produção, dossiê por alvo, regra fixa (metade anônima só bate, metade assinada fecha com a Bené) e mesa de revisão própria. É o único formato em que a equipe investiu em infraestrutura de repetição, e isso é o sinal.
- ETs no Rio — canon fechado (nunca pisam na Terra), arte-base paga uma vez e reaproveitada em dois roteiros, e um banco de ideias esperando. É o menor custo marginal por episódio de toda a operação.
- Reels do Jornal (feltro) — personagem fixo, ideias pré-escritas, execução já validada. Serve o ritmo diário que a Julia pediu.
- A MECÂNICA do GOV TOYS — não a peça, que está bloqueada. O comercial de varejo vendendo político como brinquedo é bom, e o próprio diário registra: "a mecânica serve para outra pauta". Vale repetir sobre um alvo que não esbarre na trava de imagem.
A melhoria que falta, se sobrar fôlego
Dar tabela e formulário a /ideias e /roteiros, como as outras sete tabelas já
têm. Enquanto isso não existe, a "Fila de roteiro" da /hoje faz o papel: é
onde a ideia espera sem depender de ninguém abrir o código.